textField=Therion é a polêmica banda da Suécia que faz um híbrido entre música clássica e heavy metal. Digo polêmica porque não há meio termo com esta banda, ou se ama ou odeia, o grupo é um verdadeiro divisor de águas para os fãs de metal. Inicialmente a proposta da banda era um death/doom sem muita complexidade, apenas melodias simples e melancólicas unidas a vocais guturais e teclados. Porém, após o bem recebido Theli, que trouxe a banda ao mundo conhecido, o Therion surpreendeu com Vovin, um álbum repleto de orquestrações e vocais em coro, deixando de lado o ambiente death/doom e partindo para um estilo próprio bem peculiar, utilizando sinfonias Wagnerianas e guitarras cavalgadas. Após o sucesso de Vovin, o Therion apostou no seu recém-criado estilo, mas o álbum seguinte Deggial trazia uma forma mais simples de composição, com uma aproximação mais direta ao heavy metal. Para os fãs foi um grande álbum, mas para o resto de nós não foi tão inovador quanto o Vovin. Chegamos ao novo milênio e o Therion lança seu mais novo álbum, Secret Of The Runes. Apesar de saber que a fórmula seria a mesma, eu tive a curiosidade de descobrir como o Therion ia apresentar sua música ímpar sem cair na mesmice. Felizmente, conseguiram. O álbum foge dos padrões tanto do Vovin quanto do Deggial, não tendo as orquestrações do Vovin, nem sendo tão direto quanto o Deggial. Os vocais em coral, como sempre, estão majestosos e muito bem gravados, assim como a parte "metal" da banda está muito coesa. A diferença é que Secret Of The Runes tem toda uma atmosfera de trilha sonora de filme, o álbum poderia ser encaixado perfeitamente numa continuação do filme Conan. Os riffs fogem das cavalgadas típicas, a atmosfera aqui apresentada é muito mais sombria e ao mesmo tempo grandiosa. Músicas como Jotunheim e Secret Of The Runes surpreendem principalmente pela harmonia entre as duas escolas completamente diversas, a do heavy metal e a música clássica. Mas desta vez tudo parece ter sido feito com muito mais naturalidade, não há aquela sensação de quebra de padrão que as vezes feria a integridade sonora da banda. Os violinos e cellos tomam conta da cena com a mesma intensidade dos solos de guitarra, não há disparidades, apenas um único, e muito bem articulado, conjunto harmônico. A música que difere um pouco no trabalho é a faixa Ljusalfheim, com uma tonalidade semi-acústica e alguns efeitos de vocal misturados ao coro, não é uma faixa ruim, aliás tem um ambiente "árabe" bem curioso, apenas foge do padrão do resto do álbum e diria que é a faixa mais fraca. Resumindo, o Therion fez um bom trabalho. Nada excepcional em termos de heavy metal, talvez até um pouco desestimulante para alguns. Mas do ponto de vista musical, é um álbum bem agradável que, se não traz nenhuma novidade, é uma bela trilha sonora para jogadores de RPG e afins. Para aqueles que são fãs declarados da banda, esperem o de sempre, para os que nunca curtiram, não é agora que vão passar a gostar.